CEO da Uber diz que vazamentos de polêmicas em 2017 foram importantes para a empresa mudar

É difícil exagerar no absurdo que foi a situação da Uber em 2017. Começou com acusações de assédio sexual, foi piorando com a discussão do antigo CEO com um motorista, e acabou com a revelação de uso de espiões. Ainda enfrentando uma má cobertura de imprensa, a imagem de uma empresa machista e uma investigação federal, o CEO Dara Khosrowshahi disse durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça que os vazamentos de informação foram “incrivelmente positivos” para a companhia, por causa da “mudança de cultura” que eles causaram.

“Há mais informação agora sobre o que está acontecendo”, disse ele. “Fico um pouco atrapalhado, pois na Uber teve um monte de vazamentos sobre o que aconteceu na empresa, e isso não é necessariamente uma boa forma de conduzir uma companhia. Mas ao analisar a situação, os vazamentos e a exposição de Susan Fowler (ex-engenheira que denunciou uma cultura machista), etc… não só começou uma mudança cultural real, que foi dolorosa para o Uber, mas incrivelmente positiva. Os vazamentos fizeram a empresa finalmente entender que deveria fazer mudanças e é o que estamos fazendo.”

Essa história de que a Uber amou os vazamentos é apenas para convencer a audiência do evento, especialmente uma empresa que está tentando se estabilizar após uma série de reportagens sobre as operações secretas da companhia.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma investigação criminal após uma matéria de março de 2017 do New York Times sobre um programa chamado “Greyball”, feito para evitar regulações e operar em locais onde sofreu sanções.

Em dezembro, documentos tornados públicos como parte do caso contra a Waymo (empresa da Alphabet dedicada a carros autônomos) mostraram que a empresa contratou agentes secretos para espionar competidores e políticos que já favoreceram outras empresas concorrentes. Além disso, Travis Kalanick, o ex-CEO da empresa, foi filmado em fevereiro discutindo com um motorista, que reclamava das práticas de preço da companhia.

O que leva o responsável por uma empresa que já empregou uma rede de espiões dizer que ama vazamentos? A Uber gastou o ano passado todo tentando se recuperar de um cataclisma de relações públicos a cada quatro meses, mas agora ama vazamentos? É como dizer que você ama ir à churrascaria que te deu dor de barriga, mas agora você decidiu se tornar vegetariano. “Doloroso, mas incrivelmente positivo” você diz aos seus amigos após postar uma foto de tofu ou de um prato com molho pesto no seu Instagram.

No Fórum Econômico Mundial, Khosrowshahi reforçou a ideia de reposicionamento de imagem, elogiando a cobertura da imprensa sobre a empresa. “E a imprensa teve grande papel nisso [sobre as mudanças]”, disse “então, espero que a imprensa seja também parte da solução.”

As polêmicas envolvendo a Uber em 2017 foram graves. Não há dúvida de que a imprensa vai cobrir os altos e baixos da companhia, mas Khosrowshahi não convence quando ele diz que está ansioso por isso.

[KYMA]

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